segunda-feira, agosto 13, 2012

Crônicas de Bundland - Capítulo 3

Juvenal, o homem que Bigous Dicous reconheceu, era um pianista bem animado e ensinava John a tocar algumas músicas para que o garoto conseguisse abandonar o vício. O bordel "Joaninha Alegre" vivia sempre movimentado e estava começando a ser um ponto de comércio do ópio de Jack Lock.


Em um anoitecer, com o céu alaranjado. Juvenal estava atravessando a rua para começar seu trabalho quando Bigous Dicous o chamou.

- Senhor, quero trocar um dedo de prosa. - disse Bigous Dicous com um leve sorriso.

Foram para o saloon e Bigous Dicous foi direto ao assunto.

- Pra mim tempo é dinheiro, senhor. Preciso de um par de mãos jovens e fortes para tomar conta de minha fazenda de porcos e, creio eu, que o senhor é a pessoa perfeita para isso.

- Rá. Nem me pagando bem faria isso. Estou com minhas noites muito bem vividas e não tenho do que reclamar. - Disse Juvenal já alterando sua voz.

- Creio que o senhor irá trabalhar em minha fazenda a partir de amanhã e será sem custo nenhum. Afinal, como sou generoso, lhe deixarei dormir com os porcos. - Bigous Dicous estava quase gargalhando.

- Está louco homem? Posso mata-lo aqui mesmo se continuar com essa conversa. - Juvenal agora estava ficando descontrolado.

- Bem, meu senhor, o que acha que o Xerife diria se o pianista da cidade é procurado em Frapland e tem uma boa recompensa por sua cabeça?

- Não. Não fale mais nada. Deixei meu passado para trás. - Juvenal estava apavorado com a possibilidade de seu passado ressurgir.

- Creio, então, que fechamos um bom negócio. Trabalhará para mim durante o dia e a noite poderá continuar com sua vidinha medíocre. Ha, ha, ha, ha. - Bigous Dicous o tinha pego de jeito.

Juvenal nada falou e foi indo cabisbaixo para seu último dia livre como pianista.

Durante um longo mês de trabalho pesado, praticamente escravo, durante o dia e seu trabalho oficial a noite, Juvenal não estava mais conseguindo relaxar. Entre uma conversa e outra descobriu que o fornecedor de ópio era Jack Lock e Josué. Saiu um dia da fazenda e foi a Igreja com Arlinda, lá chegando chamou Josué de canto.

- Padre, preciso me acalmar, utilizando seus medicamentos. - sussurava Juvenal.

- Não sou padle, meu filho. Apenas um flei que ajuda almas a encontlalem a salvação. E não entendo que medicamentos são esses, os únicos remédios são a olação e fé. - disse Josué tranquilamente

- Padre, sei sobre sua venda de ópio, trabalho como pianista logo mais a frente e sou tratado como um cão durante o dia na fazenda desse porco banqueiro. Preciso realmente me acalmar. - Juvenal estava quase entrando em prantos.

- Filho, venha amanhã e após a celeblação ilei lhe dar uma sessão palticular.

Como combinado, Juvenal apareceu e após a celebração desceram para uma pequena sala. Josué trouxe em suas mão uma espécie de caixa que soltava um vapor com um aroma de camomila. Josué tropeçou em uma dobra do tapete e derrubou a caixa com a água fervente no rosto de Juvenal, desconfigurando metade de seu rosto.

- AAAAAAAAHHHHHHHHHH! Padre, que dor dos infernos. Você se arrependerá de ter feito isso comigo! - disse Juvenal saindo com pressa em direção a farmácia.

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